Almeida chegou quando Bia estava no meio de suas plantas, em companhia de Zé, seu colaborador.
     — Bia, a caixinha é mes­mo mágica!
     — E aí, funcionou?
     — Sim, agora todas as coisas estão se encaixan­do. Gostaria de abrir e ver o que há dentro dela.
     Era uma caixinha de ma­deira, dessas de artesa­nato, recoberta de tecido dourado. Bia havia lacrado com cera em toda a volta para não ser aberta. E deu-lhe a seguinte reco­mendação: “Leve a caixi­nha duas vezes por dia, du­rante três meses, a todos os ambientes de sua propriedade e em contato com todas as pessoas que trabalham, moram e con­vivem com você.”
     Almeida, quando soube que Bia dava conselhos sábios, viera consultá-la sobre o que deveria fazer para que seus negócios prosperassem. Bia analisou a situação e deu a ele a caixinha misteriosa com a recomendação.
     Ele, então, fez exatamente o recomendado, e seu negócio realmente prosperou a olhos vistos. Seus empregados, sua família, todos estavam mais empenhados, mais entusiasmados.
     — Oh! Exclamou Almeida.
     — Oh! Exclamou Zé.
     — Lindo, não? Disse Bia.
     Dentro da caixinha, envolto em um lenço de seda, havia apenas um cristal cor-de-rosa.
     — Só essa pedra provocou toda a mudança em minha casa?
     — Claro que não, Almeida! Vamos entrar, que vou explicar melhor.
     Bia colocou na água fervente talinhos de hortelã, cujo aroma se espalhou pelo ambiente.
     Almeida estava na expectativa. Zé, acostu­mado com os conselhos de Bia, esperava sem desviar os olhinhos maliciosos, já saboreando a explicação que viria.
     

 

 

 

 



    Calmamente, Bia serviu o chá, sentou-se disse:
     — Você mesmo provocou as mudanças em sua casa.  Enquanto você levava a caixinha para todos os lugares, você observava tudo o que estava acontecendo, tudo o que precisava ser melhorado, dava a devida atenção a cada pessoa. Isso fez ocorrer mudanças. A caixinha com a pedra foi apenas um pretexto para que você se envolvesse com tudo. E a mudança foi visível ! Foi a sua atenção, seu cuidado por todos os ambientes e para com as pessoas, que os tornou melhores. Devolveram a você, a mesma atenção e cuidado. Sem contar que, com a caixinha na mão, você mesmo queria ver o melhor em tudo. A mágica está no jeito de olhar.
     Depois de uma pausa, continuou:
     — De agora em diante você continue da mesma
forma, mesmo sem levar a caixinha. Guarde-a como lembrança.
     Almeida ouviu tudo. Ficou um tempo pensativo e disse:
     — Simples assim?
     — Pois é, simples assim!
      — É tão simples que parece mágico! Que lição aprendi hoje! Estou muito agradecido.

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